Arritmia, palpitação e taquicardia: o que é e quando preocupa
Arritmia é qualquer alteração no ritmo do coração: batidas rápidas demais (taquicardia), lentas demais (bradicardia) ou fora do compasso. Muita gente percebe como palpitação, aquela sensação de coração disparado, falhando ou batendo forte no peito. A maior parte das palpitações não é perigosa, mas algumas arritmias precisam de tratamento. Aqui você entende os tipos de arritmia, os sintomas, os exames e o tratamento.

O que é arritmia
O coração tem um sistema elétrico próprio. Um “marca-passo natural”, no átrio direito, manda o sinal que faz o coração bater entre 50 e 100 vezes por minuto em repouso. Quando esse sinal nasce no lugar errado, sai rápido ou devagar demais ou é bloqueado no caminho, surge a arritmia cardíaca.
Os tipos mais comuns são:
- Extrassístoles: batidas extras, sentidas como “falha” ou “soco” no peito. São muito comuns e quase sempre benignas.
- Fibrilação atrial: batimento irregular e geralmente rápido. É a arritmia mais comum em adultos mais velhos e aumenta o risco de AVC.
- Taquicardia supraventricular: coração dispara de repente, às vezes acima de 150 batimentos, e para de repente.
- Taquicardias ventriculares: menos comuns e mais graves, ligadas a doença no músculo do coração.
- Bradicardias e bloqueios: coração lento demais, que pode causar tontura e desmaio.
- Arritmia sinusal respiratória: variação normal do ritmo com a respiração, comum em jovens. Não é doença.
Sintomas de arritmia
- palpitação: coração acelerado, batendo forte ou irregular;
- sensação de “falha”, “pausa” ou “tranco” no peito;
- tontura ou sensação de que vai desmaiar;
- desmaio;
- falta de ar e cansaço;
- dor ou desconforto no peito.
Algumas arritmias, como a fibrilação atrial, podem não dar sintoma nenhum e ser descobertas num exame de rotina. Os sintomas são parecidos em homens e mulheres. Na mulher, palpitações ficam mais frequentes em alguns momentos, como antes da menstruação, na gravidez e na menopausa.
Palpitação: o que pode ser
Nem toda palpitação é arritmia. O coração pode acelerar de forma normal com:
- ansiedade e crises de pânico;
- café, energético, chá preto e álcool;
- exercício, febre e desidratação;
- anemia e alterações da tireoide (hipertireoidismo);
- alguns remédios e descongestionantes;
- menopausa.
Na palpitação de ansiedade, o coração costuma acelerar de forma regular e acalmar junto com a crise. Mesmo assim, só a avaliação médica separa a palpitação benigna de uma arritmia que precisa de tratamento.
Taquicardia: o que fazer
Taquicardia é o coração acima de 100 batimentos por minuto em repouso. Se ela começou de repente e você está bem, sente-se, respire devagar e conte os batimentos no pulso. Muitas crises passam sozinhas.
Procure o pronto-socorro na hora se a taquicardia vier com dor no peito, falta de ar forte, desmaio ou tontura intensa, ou se não passar em poucos minutos. Se possível, anote a hora e a frequência ou registre no relógio inteligente: isso ajuda muito o médico depois.
O que causa arritmia
- doenças do coração: infarto prévio, insuficiência cardíaca, doenças das válvulas, cardiomiopatias;
- pressão alta de longa data;
- idade;
- tireoide desregulada;
- apneia do sono;
- álcool em excesso, estimulantes e algumas drogas;
- alterações de sais do sangue (potássio, magnésio);
- herança genética, em algumas arritmias raras.
Exames para arritmia
O desafio é “pegar” a arritmia no exame, porque muitas vêm e vão. Os mais usados:
- eletrocardiograma: mostra o ritmo no momento;
- Holter de 24 horas ou de mais dias: grava o ritmo durante a rotina;
- monitor de eventos: aparelho usado por semanas, para sintomas raros;
- ecocardiograma: avalia se há doença na estrutura do coração;
- exames de sangue: tireoide, sais e anemia;
- estudo eletrofisiológico: exame invasivo, em casos selecionados.
Tratamento para arritmia
O tratamento para arritmia depende do tipo, dos sintomas e do risco:
- Nenhum tratamento, só orientação, para extrassístoles benignas e arritmia sinusal.
- Ajustar gatilhos: reduzir café e álcool, tratar a tireoide, a apneia ou a anemia.
- Remédios para controlar a frequência ou manter o ritmo normal.
- Anticoagulantes na fibrilação atrial, quando o risco de AVC justifica.
- Ablação por cateter: procedimento que cauteriza o ponto que dispara a arritmia. Em várias taquicardias, resolve o problema na maioria dos casos.
- Marca-passo nas bradicardias e bloqueios, e cardiodesfibrilador implantável em quem tem risco de arritmia grave.
Remédio caseiro funciona para arritmia?
Não há chá ou receita que trate arritmia. O que ajuda em casa é cortar os gatilhos: menos café e energético, pouco álcool, sono bom e controle do estresse. Em algumas crises de taquicardia supraventricular, o médico pode ensinar manobras específicas para tentar interromper a crise, que só devem ser feitas com essa orientação.
Arritmia passa sozinha?
Algumas passam. Palpitações por café, ansiedade ou febre somem quando a causa vai embora. Extrassístoles podem aparecer em fases e sumir em outras. Já a fibrilação atrial e as arritmias ligadas a doença do coração costumam precisar de acompanhamento contínuo.
Arritmia pode voltar?
Pode. Mesmo depois de controlada com remédio ou ablação, uma parte das arritmias volta com o tempo, e por isso o acompanhamento continua depois do tratamento.
Quanto tempo dura uma crise de arritmia
Varia de segundos (extrassístoles) a horas ou dias (fibrilação atrial). Crise que não passa em alguns minutos, ou que vem com sintomas fortes, deve ser avaliada no pronto-socorro.
Arritmia é grave?
A maioria não é. Extrassístoles e arritmia sinusal são, em geral, benignas. A fibrilação atrial é séria porque aumenta o risco de AVC, mas tem tratamento eficaz. As arritmias ventriculares em quem tem doença no coração são as mais perigosas e podem levar à morte súbita, tema do artigo sobre infarto e outras causas de morte súbita.
Arritmia na gravidez
Palpitação é comum na gravidez, porque o volume de sangue e a frequência do coração aumentam. Na maioria das vezes é benigna. Gestantes com arritmia conhecida ou com doença do coração precisam de acompanhamento junto com o obstetra, porque alguns remédios precisam ser trocados. Algumas arritmias raras são hereditárias, e nesses casos a família também é avaliada.
Quando procurar o médico
- palpitações frequentes ou que duram minutos;
- coração disparado com tontura, falta de ar ou dor no peito (pronto-socorro);
- desmaio sem explicação;
- relógio inteligente avisando ritmo irregular;
- histórico de morte súbita na família.
Qual médico trata arritmia
O cardiologista é o médico que investiga e trata arritmia, palpitação e taquicardia. Ele pede os exames, define se o ritmo é benigno ou não e indica o tratamento. Quando é preciso ablação ou marca-passo, o paciente é encaminhado ao arritmologista (eletrofisiologista), que é o cardiologista com formação nessa área. A Dra. Fernanda Tessari é cardiologista em São Paulo e faz essa avaliação. Conheça a trajetória da Dra. Fernanda.
Perguntas frequentes sobre arritmia
Ansiedade causa arritmia?
A ansiedade acelera o coração e pode aumentar as extrassístoles. Ela não costuma causar arritmia grave, mas o sintoma deve ser avaliado.
Quem tem arritmia pode fazer academia?
Na maioria dos casos, sim, depois da avaliação do cardiologista. Algumas arritmias pedem cuidado com o tipo e a intensidade do treino.
Quem tem palpitação pode tomar café?
Muitas pessoas toleram bem uma a duas xícaras. Se você percebe que o café dispara as palpitações, vale reduzir.
Quem tem arritmia pode tomar creatina?
Não há prova de que a creatina cause arritmia em pessoas saudáveis, mas quem tem arritmia deve conversar com o cardiologista antes de usar qualquer suplemento.
Taquicardia pode ser menopausa?
Pode. As mudanças hormonais da menopausa causam palpitações e ondas de calor. Mesmo assim, vale descartar outras causas.
Fontes
- National Heart, Lung, and Blood Institute (NIH). Arrhythmias.
- MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA. Arrhythmia.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Portal da SBC.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para o seu caso, procure uma avaliação.
