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Arritmia

Arritmia, palpitação e taquicardia: o que é e quando preocupa

Atualizado em 31 de outubro de 2026
Dra. Fernanda TessariDra. Fernanda TessariCardiologista · CRM-SP 182784 · RQE 111094

Arritmia é qualquer alteração no ritmo do coração: batidas rápidas demais (taquicardia), lentas demais (bradicardia) ou fora do compasso. Muita gente percebe como palpitação, aquela sensação de coração disparado, falhando ou batendo forte no peito. A maior parte das palpitações não é perigosa, mas algumas arritmias precisam de tratamento. Aqui você entende os tipos de arritmia, os sintomas, os exames e o tratamento.

Arritmia, palpitação e taquicardia: o que é e quando preocupa

O que é arritmia

O coração tem um sistema elétrico próprio. Um “marca-passo natural”, no átrio direito, manda o sinal que faz o coração bater entre 50 e 100 vezes por minuto em repouso. Quando esse sinal nasce no lugar errado, sai rápido ou devagar demais ou é bloqueado no caminho, surge a arritmia cardíaca.

Os tipos mais comuns são:

  • Extrassístoles: batidas extras, sentidas como “falha” ou “soco” no peito. São muito comuns e quase sempre benignas.
  • Fibrilação atrial: batimento irregular e geralmente rápido. É a arritmia mais comum em adultos mais velhos e aumenta o risco de AVC.
  • Taquicardia supraventricular: coração dispara de repente, às vezes acima de 150 batimentos, e para de repente.
  • Taquicardias ventriculares: menos comuns e mais graves, ligadas a doença no músculo do coração.
  • Bradicardias e bloqueios: coração lento demais, que pode causar tontura e desmaio.
  • Arritmia sinusal respiratória: variação normal do ritmo com a respiração, comum em jovens. Não é doença.

Sintomas de arritmia

  • palpitação: coração acelerado, batendo forte ou irregular;
  • sensação de “falha”, “pausa” ou “tranco” no peito;
  • tontura ou sensação de que vai desmaiar;
  • desmaio;
  • falta de ar e cansaço;
  • dor ou desconforto no peito.

Algumas arritmias, como a fibrilação atrial, podem não dar sintoma nenhum e ser descobertas num exame de rotina. Os sintomas são parecidos em homens e mulheres. Na mulher, palpitações ficam mais frequentes em alguns momentos, como antes da menstruação, na gravidez e na menopausa.

Palpitação: o que pode ser

Nem toda palpitação é arritmia. O coração pode acelerar de forma normal com:

  • ansiedade e crises de pânico;
  • café, energético, chá preto e álcool;
  • exercício, febre e desidratação;
  • anemia e alterações da tireoide (hipertireoidismo);
  • alguns remédios e descongestionantes;
  • menopausa.

Na palpitação de ansiedade, o coração costuma acelerar de forma regular e acalmar junto com a crise. Mesmo assim, só a avaliação médica separa a palpitação benigna de uma arritmia que precisa de tratamento.

Taquicardia: o que fazer

Taquicardia é o coração acima de 100 batimentos por minuto em repouso. Se ela começou de repente e você está bem, sente-se, respire devagar e conte os batimentos no pulso. Muitas crises passam sozinhas.

Procure o pronto-socorro na hora se a taquicardia vier com dor no peito, falta de ar forte, desmaio ou tontura intensa, ou se não passar em poucos minutos. Se possível, anote a hora e a frequência ou registre no relógio inteligente: isso ajuda muito o médico depois.

O que causa arritmia

  • doenças do coração: infarto prévio, insuficiência cardíaca, doenças das válvulas, cardiomiopatias;
  • pressão alta de longa data;
  • idade;
  • tireoide desregulada;
  • apneia do sono;
  • álcool em excesso, estimulantes e algumas drogas;
  • alterações de sais do sangue (potássio, magnésio);
  • herança genética, em algumas arritmias raras.

Exames para arritmia

O desafio é “pegar” a arritmia no exame, porque muitas vêm e vão. Os mais usados:

  • eletrocardiograma: mostra o ritmo no momento;
  • Holter de 24 horas ou de mais dias: grava o ritmo durante a rotina;
  • monitor de eventos: aparelho usado por semanas, para sintomas raros;
  • ecocardiograma: avalia se há doença na estrutura do coração;
  • exames de sangue: tireoide, sais e anemia;
  • estudo eletrofisiológico: exame invasivo, em casos selecionados.

Tratamento para arritmia

O tratamento para arritmia depende do tipo, dos sintomas e do risco:

  • Nenhum tratamento, só orientação, para extrassístoles benignas e arritmia sinusal.
  • Ajustar gatilhos: reduzir café e álcool, tratar a tireoide, a apneia ou a anemia.
  • Remédios para controlar a frequência ou manter o ritmo normal.
  • Anticoagulantes na fibrilação atrial, quando o risco de AVC justifica.
  • Ablação por cateter: procedimento que cauteriza o ponto que dispara a arritmia. Em várias taquicardias, resolve o problema na maioria dos casos.
  • Marca-passo nas bradicardias e bloqueios, e cardiodesfibrilador implantável em quem tem risco de arritmia grave.

Remédio caseiro funciona para arritmia?

Não há chá ou receita que trate arritmia. O que ajuda em casa é cortar os gatilhos: menos café e energético, pouco álcool, sono bom e controle do estresse. Em algumas crises de taquicardia supraventricular, o médico pode ensinar manobras específicas para tentar interromper a crise, que só devem ser feitas com essa orientação.

Arritmia passa sozinha?

Algumas passam. Palpitações por café, ansiedade ou febre somem quando a causa vai embora. Extrassístoles podem aparecer em fases e sumir em outras. Já a fibrilação atrial e as arritmias ligadas a doença do coração costumam precisar de acompanhamento contínuo.

Arritmia pode voltar?

Pode. Mesmo depois de controlada com remédio ou ablação, uma parte das arritmias volta com o tempo, e por isso o acompanhamento continua depois do tratamento.

Quanto tempo dura uma crise de arritmia

Varia de segundos (extrassístoles) a horas ou dias (fibrilação atrial). Crise que não passa em alguns minutos, ou que vem com sintomas fortes, deve ser avaliada no pronto-socorro.

Arritmia é grave?

A maioria não é. Extrassístoles e arritmia sinusal são, em geral, benignas. A fibrilação atrial é séria porque aumenta o risco de AVC, mas tem tratamento eficaz. As arritmias ventriculares em quem tem doença no coração são as mais perigosas e podem levar à morte súbita, tema do artigo sobre infarto e outras causas de morte súbita.

Arritmia na gravidez

Palpitação é comum na gravidez, porque o volume de sangue e a frequência do coração aumentam. Na maioria das vezes é benigna. Gestantes com arritmia conhecida ou com doença do coração precisam de acompanhamento junto com o obstetra, porque alguns remédios precisam ser trocados. Algumas arritmias raras são hereditárias, e nesses casos a família também é avaliada.

Quando procurar o médico

  • palpitações frequentes ou que duram minutos;
  • coração disparado com tontura, falta de ar ou dor no peito (pronto-socorro);
  • desmaio sem explicação;
  • relógio inteligente avisando ritmo irregular;
  • histórico de morte súbita na família.

Qual médico trata arritmia

O cardiologista é o médico que investiga e trata arritmia, palpitação e taquicardia. Ele pede os exames, define se o ritmo é benigno ou não e indica o tratamento. Quando é preciso ablação ou marca-passo, o paciente é encaminhado ao arritmologista (eletrofisiologista), que é o cardiologista com formação nessa área. A Dra. Fernanda Tessari é cardiologista em São Paulo e faz essa avaliação. Conheça a trajetória da Dra. Fernanda.

Perguntas frequentes sobre arritmia

Ansiedade causa arritmia?

A ansiedade acelera o coração e pode aumentar as extrassístoles. Ela não costuma causar arritmia grave, mas o sintoma deve ser avaliado.

Quem tem arritmia pode fazer academia?

Na maioria dos casos, sim, depois da avaliação do cardiologista. Algumas arritmias pedem cuidado com o tipo e a intensidade do treino.

Quem tem palpitação pode tomar café?

Muitas pessoas toleram bem uma a duas xícaras. Se você percebe que o café dispara as palpitações, vale reduzir.

Quem tem arritmia pode tomar creatina?

Não há prova de que a creatina cause arritmia em pessoas saudáveis, mas quem tem arritmia deve conversar com o cardiologista antes de usar qualquer suplemento.

Taquicardia pode ser menopausa?

Pode. As mudanças hormonais da menopausa causam palpitações e ondas de calor. Mesmo assim, vale descartar outras causas.

Fontes
  • National Heart, Lung, and Blood Institute (NIH). Arrhythmias.
  • MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA. Arrhythmia.
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia. Portal da SBC.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para o seu caso, procure uma avaliação.