Colesterol alto: sintomas, causas e tratamento
Colesterol alto é quando sobra gordura no sangue, principalmente o LDL, o chamado colesterol ruim. Ele não dói e quase nunca dá sinal, mas vai se acumulando dentro das artérias por anos até formar placas que podem entupir o caminho do sangue. Neste artigo você vê os sintomas de colesterol alto (quando aparecem), como ler o exame, o que causa e como é o tratamento.

O que é colesterol alto
O colesterol é uma gordura que o corpo precisa para fabricar hormônios, vitamina D e as paredes das células. O fígado produz a maior parte; o resto vem da comida. Ele circula no sangue dentro de “transportadores”:
- LDL (colesterol ruim): leva o colesterol para os tecidos. Quando sobra, entra na parede da artéria e forma placa.
- HDL (colesterol bom): ajuda a levar o excesso de volta ao fígado.
- Não-HDL: soma de todas as partículas que podem formar placa. Muito usado hoje para avaliar risco.
Falar em colesterol alto é falar, quase sempre, de LDL ou não-HDL acima da meta.
Sintomas de colesterol alto
Na grande maioria das pessoas, colesterol alto não tem sintoma. Ele só aparece no exame de sangue ou, anos depois, como complicação: dor no peito (angina), infarto ou AVC.
Em quem tem colesterol muito alto desde jovem, geralmente por herança familiar (a hipercolesterolemia familiar), podem surgir:
- caroços amarelados nos tendões, como no calcanhar e no dorso das mãos (xantomas);
- placas amareladas nas pálpebras (xantelasmas);
- um anel esbranquiçado em volta da íris antes dos 45 anos.
Os sinais são iguais em homens e mulheres. Na mulher, o colesterol costuma subir depois da menopausa. Tontura, dor de cabeça e cansaço não são sintomas típicos de colesterol alto e merecem outra investigação.
O que causa colesterol alto
- Herança genética. Algumas famílias produzem mais LDL ou eliminam menos. Quando há parentes com infarto antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres), vale investigar.
- Alimentação rica em gordura saturada (carnes gordas, frituras, embutidos, manteiga) e gordura trans.
- Sobrepeso e sedentarismo.
- Outras doenças: hipotireoidismo, diabetes descontrolado, doenças do fígado e dos rins.
- Alguns remédios, como corticoides e certos tratamentos hormonais.
O estresse não sobe o colesterol de forma direta, mas costuma vir junto de comer pior, dormir mal e se mexer menos.
Exame de colesterol: como ler o resultado
O exame se chama perfil lipídico. Hoje, na maioria dos casos, não precisa de jejum. O laudo traz colesterol total, LDL, HDL, não-HDL e triglicérides.
O ponto que confunde: não existe um único valor de LDL ideal para todo mundo. A meta depende do risco de cada pessoa ter infarto ou AVC nos próximos anos. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias da Sociedade Brasileira de Cardiologia divide as pessoas em faixas de risco, e quanto maior o risco, mais baixo o LDL precisa ficar.
| Risco cardiovascular | Exemplo de quem entra | Meta de LDL (mg/dL) |
|---|---|---|
| Baixo | jovem, sem outros fatores de risco | abaixo de 115 |
| Intermediário | um ou dois fatores de risco | abaixo de 100 |
| Alto | diabetes com outros fatores, placa nas artérias | abaixo de 70 |
| Muito alto | já teve infarto, AVC ou colocou stent | abaixo de 50 |
| Extremo | mais de um infarto ou AVC, ou um evento com outras doenças de alto risco | abaixo de 40 |
Valores da diretriz de 2025. Quem define a sua meta é o médico, depois de calcular o seu risco.
Também vale medir a lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida: é um tipo de colesterol herdado que o perfil lipídico comum não mostra.
Tratamento para colesterol alto
O tratamento para colesterol alto começa pelos hábitos e, conforme o risco, soma remédio.
Alimentação. Trocar carnes gordas e frituras por peixes, frango sem pele, azeite e oleaginosas; comer mais fibras (aveia, feijão, frutas, verduras). Isso reduz o LDL em média 10% a 20%. Veja também o nosso artigo sobre alimentação e prevenção de doenças cardíacas.
Atividade física e peso. Ajudam a subir o HDL e baixar triglicérides.
Remédio para colesterol. As estatinas são os remédios mais usados e com mais estudos mostrando redução de infarto e AVC. Quando não bastam, o médico pode associar a ezetimiba ou, em casos de risco muito alto, injeções que baixam bastante o LDL. A escolha depende do seu risco, do quanto o LDL precisa cair e de como você tolera cada remédio.
Quem tem risco alto ou muito alto geralmente precisa de remédio mesmo com boa alimentação, porque a dieta sozinha não leva o LDL até a meta.
Remédio caseiro funciona para colesterol alto?
Aveia, berinjela, chá verde e alho aparecem muito nas buscas. Fibras como a da aveia ajudam um pouco, e cabem bem na alimentação. Mas nenhum chá ou receita baixa o LDL o suficiente para substituir o remédio em quem precisa dele. Suplementos “naturais” vendidos para colesterol também não têm a mesma prova de proteção que as estatinas.
O LDL alto tem solução definitiva?
O colesterol alto de origem genética acompanha a pessoa a vida toda e precisa de controle contínuo. Quando a causa é o hábito, ele pode voltar ao normal com mudanças grandes na alimentação e no peso. Em qualquer caso, a ideia é manter o LDL na meta por anos, porque o benefício vem do tempo com o colesterol baixo.
O LDL pode voltar a subir?
Pode, e é comum. Quando a pessoa para a estatina, o LDL volta ao valor de antes em poucas semanas. O mesmo acontece se os hábitos voltarem atrás. Por isso o exame é repetido de tempos em tempos, e o remédio não deve ser suspenso sem conversa com o médico.
Colesterol alto é grave?
O colesterol alto não causa problema imediato, mas é uma das principais causas de entupimento das artérias. Quanto mais alto e por mais tempo, maior a chance de infarto e AVC. É um risco silencioso e que dá para controlar bem.
Quanto tempo leva para baixar o colesterol
Com remédio, o LDL começa a cair em duas a quatro semanas, e o médico costuma repetir o exame em um a três meses para ajustar a dose. Só com mudança de hábitos, a queda leva alguns meses e costuma ser menor.
Colesterol alto na gravidez e nos filhos
Na gravidez, o colesterol sobe naturalmente, porque o bebê precisa dele para se formar. Por isso não se costuma tratar colesterol durante a gestação, e as estatinas geralmente são suspensas por quem planeja engravidar, sempre com orientação médica. A hipercolesterolemia familiar passa de pais para filhos: se um dos pais tem, cada filho tem 50% de chance de herdar. Nesses casos, a criança pode fazer o exame a partir dos 2 anos.
Quando procurar o médico
- LDL acima da meta no exame;
- parentes próximos com infarto ou AVC cedo;
- diabetes, pressão alta ou tabagismo junto com colesterol alterado;
- caroços amarelados na pele ou nos tendões.
Qual médico trata colesterol alto
O cardiologista é o médico que trata colesterol alto quando o objetivo é proteger o coração e as artérias. Ele calcula o seu risco, define a meta de LDL e escolhe o tratamento. O endocrinologista também acompanha casos ligados a diabetes e hormônios. A Dra. Fernanda Tessari é cardiologista em São Paulo e cuida da prevenção cardiovascular. Conheça a trajetória da Dra. Fernanda.
Perguntas frequentes sobre colesterol alto
Quem tem LDL alto pode comer ovo?
Para a maioria das pessoas, sim. O colesterol do ovo pesa pouco no sangue comparado à gordura saturada de carnes gordas e frituras. Um ovo por dia cabe numa alimentação equilibrada.
Colesterol engorda?
Não. O colesterol alto não faz ganhar peso. O que acontece é o contrário: o excesso de peso ajuda a subir o colesterol.
LDL alto tem a ver com tireoide?
Pode ter. O hipotireoidismo (tireoide lenta) sobe o LDL. Por isso o médico costuma pedir o TSH junto.
Magro pode ter LDL alto?
Sim. Na hipercolesterolemia familiar, o LDL é alto mesmo em pessoas magras e ativas.
Precisa de jejum para o exame de colesterol?
Na maioria dos casos, não. O médico pode pedir jejum quando os triglicérides vieram muito altos.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
- Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde. Dislipidemia.
- National Heart, Lung, and Blood Institute (NIH). Blood Cholesterol.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para o seu caso, procure uma avaliação.
