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Colesterol alto

Colesterol alto: sintomas, causas e tratamento

Atualizado em 31 de outubro de 2026
Dra. Fernanda TessariDra. Fernanda TessariCardiologista · CRM-SP 182784 · RQE 111094

Colesterol alto é quando sobra gordura no sangue, principalmente o LDL, o chamado colesterol ruim. Ele não dói e quase nunca dá sinal, mas vai se acumulando dentro das artérias por anos até formar placas que podem entupir o caminho do sangue. Neste artigo você vê os sintomas de colesterol alto (quando aparecem), como ler o exame, o que causa e como é o tratamento.

Colesterol alto: sintomas, causas e tratamento

O que é colesterol alto

O colesterol é uma gordura que o corpo precisa para fabricar hormônios, vitamina D e as paredes das células. O fígado produz a maior parte; o resto vem da comida. Ele circula no sangue dentro de “transportadores”:

  • LDL (colesterol ruim): leva o colesterol para os tecidos. Quando sobra, entra na parede da artéria e forma placa.
  • HDL (colesterol bom): ajuda a levar o excesso de volta ao fígado.
  • Não-HDL: soma de todas as partículas que podem formar placa. Muito usado hoje para avaliar risco.

Falar em colesterol alto é falar, quase sempre, de LDL ou não-HDL acima da meta.

Sintomas de colesterol alto

Na grande maioria das pessoas, colesterol alto não tem sintoma. Ele só aparece no exame de sangue ou, anos depois, como complicação: dor no peito (angina), infarto ou AVC.

Em quem tem colesterol muito alto desde jovem, geralmente por herança familiar (a hipercolesterolemia familiar), podem surgir:

  • caroços amarelados nos tendões, como no calcanhar e no dorso das mãos (xantomas);
  • placas amareladas nas pálpebras (xantelasmas);
  • um anel esbranquiçado em volta da íris antes dos 45 anos.

Os sinais são iguais em homens e mulheres. Na mulher, o colesterol costuma subir depois da menopausa. Tontura, dor de cabeça e cansaço não são sintomas típicos de colesterol alto e merecem outra investigação.

O que causa colesterol alto

  • Herança genética. Algumas famílias produzem mais LDL ou eliminam menos. Quando há parentes com infarto antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres), vale investigar.
  • Alimentação rica em gordura saturada (carnes gordas, frituras, embutidos, manteiga) e gordura trans.
  • Sobrepeso e sedentarismo.
  • Outras doenças: hipotireoidismo, diabetes descontrolado, doenças do fígado e dos rins.
  • Alguns remédios, como corticoides e certos tratamentos hormonais.

O estresse não sobe o colesterol de forma direta, mas costuma vir junto de comer pior, dormir mal e se mexer menos.

Exame de colesterol: como ler o resultado

O exame se chama perfil lipídico. Hoje, na maioria dos casos, não precisa de jejum. O laudo traz colesterol total, LDL, HDL, não-HDL e triglicérides.

O ponto que confunde: não existe um único valor de LDL ideal para todo mundo. A meta depende do risco de cada pessoa ter infarto ou AVC nos próximos anos. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias da Sociedade Brasileira de Cardiologia divide as pessoas em faixas de risco, e quanto maior o risco, mais baixo o LDL precisa ficar.

Risco cardiovascular Exemplo de quem entra Meta de LDL (mg/dL)
Baixo jovem, sem outros fatores de risco abaixo de 115
Intermediário um ou dois fatores de risco abaixo de 100
Alto diabetes com outros fatores, placa nas artérias abaixo de 70
Muito alto já teve infarto, AVC ou colocou stent abaixo de 50
Extremo mais de um infarto ou AVC, ou um evento com outras doenças de alto risco abaixo de 40

Valores da diretriz de 2025. Quem define a sua meta é o médico, depois de calcular o seu risco.

Também vale medir a lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida: é um tipo de colesterol herdado que o perfil lipídico comum não mostra.

Tratamento para colesterol alto

O tratamento para colesterol alto começa pelos hábitos e, conforme o risco, soma remédio.

Alimentação. Trocar carnes gordas e frituras por peixes, frango sem pele, azeite e oleaginosas; comer mais fibras (aveia, feijão, frutas, verduras). Isso reduz o LDL em média 10% a 20%. Veja também o nosso artigo sobre alimentação e prevenção de doenças cardíacas.

Atividade física e peso. Ajudam a subir o HDL e baixar triglicérides.

Remédio para colesterol. As estatinas são os remédios mais usados e com mais estudos mostrando redução de infarto e AVC. Quando não bastam, o médico pode associar a ezetimiba ou, em casos de risco muito alto, injeções que baixam bastante o LDL. A escolha depende do seu risco, do quanto o LDL precisa cair e de como você tolera cada remédio.

Quem tem risco alto ou muito alto geralmente precisa de remédio mesmo com boa alimentação, porque a dieta sozinha não leva o LDL até a meta.

Remédio caseiro funciona para colesterol alto?

Aveia, berinjela, chá verde e alho aparecem muito nas buscas. Fibras como a da aveia ajudam um pouco, e cabem bem na alimentação. Mas nenhum chá ou receita baixa o LDL o suficiente para substituir o remédio em quem precisa dele. Suplementos “naturais” vendidos para colesterol também não têm a mesma prova de proteção que as estatinas.

O LDL alto tem solução definitiva?

O colesterol alto de origem genética acompanha a pessoa a vida toda e precisa de controle contínuo. Quando a causa é o hábito, ele pode voltar ao normal com mudanças grandes na alimentação e no peso. Em qualquer caso, a ideia é manter o LDL na meta por anos, porque o benefício vem do tempo com o colesterol baixo.

O LDL pode voltar a subir?

Pode, e é comum. Quando a pessoa para a estatina, o LDL volta ao valor de antes em poucas semanas. O mesmo acontece se os hábitos voltarem atrás. Por isso o exame é repetido de tempos em tempos, e o remédio não deve ser suspenso sem conversa com o médico.

Colesterol alto é grave?

O colesterol alto não causa problema imediato, mas é uma das principais causas de entupimento das artérias. Quanto mais alto e por mais tempo, maior a chance de infarto e AVC. É um risco silencioso e que dá para controlar bem.

Quanto tempo leva para baixar o colesterol

Com remédio, o LDL começa a cair em duas a quatro semanas, e o médico costuma repetir o exame em um a três meses para ajustar a dose. Só com mudança de hábitos, a queda leva alguns meses e costuma ser menor.

Colesterol alto na gravidez e nos filhos

Na gravidez, o colesterol sobe naturalmente, porque o bebê precisa dele para se formar. Por isso não se costuma tratar colesterol durante a gestação, e as estatinas geralmente são suspensas por quem planeja engravidar, sempre com orientação médica. A hipercolesterolemia familiar passa de pais para filhos: se um dos pais tem, cada filho tem 50% de chance de herdar. Nesses casos, a criança pode fazer o exame a partir dos 2 anos.

Quando procurar o médico

  • LDL acima da meta no exame;
  • parentes próximos com infarto ou AVC cedo;
  • diabetes, pressão alta ou tabagismo junto com colesterol alterado;
  • caroços amarelados na pele ou nos tendões.

Qual médico trata colesterol alto

O cardiologista é o médico que trata colesterol alto quando o objetivo é proteger o coração e as artérias. Ele calcula o seu risco, define a meta de LDL e escolhe o tratamento. O endocrinologista também acompanha casos ligados a diabetes e hormônios. A Dra. Fernanda Tessari é cardiologista em São Paulo e cuida da prevenção cardiovascular. Conheça a trajetória da Dra. Fernanda.

Perguntas frequentes sobre colesterol alto

Quem tem LDL alto pode comer ovo?

Para a maioria das pessoas, sim. O colesterol do ovo pesa pouco no sangue comparado à gordura saturada de carnes gordas e frituras. Um ovo por dia cabe numa alimentação equilibrada.

Colesterol engorda?

Não. O colesterol alto não faz ganhar peso. O que acontece é o contrário: o excesso de peso ajuda a subir o colesterol.

LDL alto tem a ver com tireoide?

Pode ter. O hipotireoidismo (tireoide lenta) sobe o LDL. Por isso o médico costuma pedir o TSH junto.

Magro pode ter LDL alto?

Sim. Na hipercolesterolemia familiar, o LDL é alto mesmo em pessoas magras e ativas.

Precisa de jejum para o exame de colesterol?

Na maioria dos casos, não. O médico pode pedir jejum quando os triglicérides vieram muito altos.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para o seu caso, procure uma avaliação.