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Infarto: sintomas, o que fazer e como é a recuperação

Atualizado em 31 de outubro de 2026
Dra. Fernanda TessariDra. Fernanda TessariCardiologista · CRM-SP 182784 · RQE 111094

O infarto acontece quando uma artéria do coração entope e uma parte do músculo cardíaco fica sem sangue. Quanto mais tempo sem sangue, mais músculo se perde. Por isso reconhecer os sintomas de infarto e agir rápido muda o resultado. Neste artigo você vê como o infarto se manifesta no homem e na mulher, o que fazer nos primeiros minutos, como é o tratamento e o que muda na vida depois.

Infarto: sintomas, o que fazer e como é a recuperação

O que é infarto

O coração é um músculo que recebe sangue por três artérias principais, as coronárias. Com os anos, gordura e inflamação formam placas dentro delas. Em algum momento uma placa pode se romper, um coágulo se forma em cima e a artéria fecha. A parte do coração que dependia dela começa a morrer em poucos minutos. Isso é o infarto agudo do miocárdio.

Infarto e parada cardíaca não são a mesma coisa. No infarto, o coração continua batendo, mas uma parte dele está sofrendo. Na parada, o coração para de bombear. O infarto pode levar a uma parada, e esse é o tema do nosso artigo sobre infarto e outras causas de morte súbita.

Sintomas de infarto

O sinal mais comum é uma dor ou aperto no peito que dura mais de 15 a 20 minutos e não passa com repouso. Pode vir com:

  • dor que vai para o braço esquerdo, os dois braços, as costas, o pescoço ou a mandíbula;
  • falta de ar;
  • suor frio;
  • enjoo ou vômito;
  • tontura ou sensação de desmaio;
  • mal-estar forte e difícil de explicar.

A dor do infarto costuma ser descrita como peso, pressão ou queimação, e não como pontada. Dor em pontada que muda ao apertar o peito ou ao respirar fundo tem mais chance de ser de outra origem, mas só a avaliação médica confirma.

Sintomas de infarto em mulher

Na mulher, o infarto muitas vezes aparece de um jeito menos clássico, e isso atrasa o atendimento. Além ou no lugar da dor no peito, podem surgir:

  • cansaço intenso e fora do comum, às vezes dias antes;
  • falta de ar sem esforço;
  • dor nas costas, na mandíbula ou no estômago;
  • enjoo, má digestão e suor frio.

Mulheres com diabetes e idosos também podem ter sintomas fracos ou atípicos. Na dúvida, vale procurar o pronto-socorro.

O que fazer em caso de infarto

Os primeiros minutos são os que mais importam:

  1. Ligue 192 (SAMU) ou vá direto a um pronto-socorro com estrutura para atender infarto. Não espere a dor passar.
  2. Não dirija se for você com os sintomas.
  3. Fique sentado ou deitado, em repouso, com a roupa folgada.
  4. Não tome remédios por conta própria. O atendente do SAMU pode orientar o uso de algum medicamento, de acordo com o caso.
  5. Se a pessoa desmaiar e não respirar, comece a massagem cardíaca (compressões fortes e rápidas no centro do peito) até a ajuda chegar.

Quanto antes a artéria for aberta, menos músculo do coração se perde.

O que causa infarto

A causa principal é a aterosclerose, o acúmulo de placas nas artérias. O que mais aumenta o risco:

  • colesterol alto (veja o artigo sobre colesterol alto);
  • pressão alta;
  • diabetes;
  • tabagismo;
  • sedentarismo e excesso de peso;
  • histórico de infarto precoce na família e lipoproteína(a) alta (um tipo de colesterol herdado);
  • idade.

Estresse intenso pode ser o gatilho em quem já tem as artérias doentes.

Exames que confirmam o diagnóstico

No pronto-socorro, o diagnóstico é feito com:

  • eletrocardiograma, que deve ser feito em até 10 minutos da chegada;
  • troponina, um exame de sangue que mostra lesão no músculo do coração;
  • cateterismo, que mostra qual artéria entupiu e já permite tratar.

Depois, o ecocardiograma avalia quanto o coração foi afetado.

Tratamento para infarto

O objetivo é abrir a artéria o mais rápido possível. Isso é feito pela angioplastia com stent (uma pequena mola colocada por um cateter, pela artéria do braço ou da virilha) ou, quando não há esse recurso perto, por remédio que dissolve o coágulo. Alguns casos precisam de cirurgia de ponte de safena.

Depois da fase aguda vêm os remédios que protegem o coração e evitam um novo infarto: antiagregantes (que deixam o sangue menos propenso a coagular), estatina em dose alta, remédios para a pressão e para o coração bater com menos esforço.

Remédio caseiro serve na hora?

Não. Infarto é emergência e não existe receita caseira que ajude na hora. Tossir com força, tomar água com sal ou esperar em casa só atrasa o atendimento. Depois do evento, também nenhum chá ou suplemento substitui os remédios receitados.

Como fica a vida depois do infarto

A recuperação depende do tamanho do evento e da rapidez do atendimento. A maioria das pessoas volta às atividades em algumas semanas. Alguns pontos fazem diferença:

  • Reabilitação cardíaca: programa de exercícios supervisionados que ajuda a recuperar o condicionamento com segurança.
  • Remédios todos os dias, sem parar por conta própria, principalmente nos primeiros meses depois do stent.
  • Metas de colesterol mais rigorosas: LDL bem baixo, conforme orientação do cardiologista.
  • Parar de fumar, controlar pressão e glicose.
  • Atenção à saúde emocional: tristeza e ansiedade são comuns depois do evento e merecem cuidado.

A volta ao trabalho, à direção e à vida sexual costuma ser liberada pelo cardiologista em poucas semanas, conforme a evolução.

Dá para ter um segundo evento?

Sim. Quem já teve um infarto tem risco maior de um segundo, principalmente no primeiro ano. Seguir o tratamento e as consultas de acompanhamento reduz muito essa chance.

Quanto tempo duram os sintomas

Os sintomas podem durar de minutos a horas. O músculo do coração começa a sofrer lesão em cerca de 20 a 30 minutos sem sangue, e a maior parte da perda acontece nas primeiras horas. Por isso a regra é: dor no peito que dura mais de 15 a 20 minutos é motivo para procurar atendimento já.

Infarto é grave?

É uma das principais causas de morte no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Com atendimento rápido e tratamento adequado, a maioria das pessoas sobrevive e volta a ter uma vida ativa. A gravidade depende principalmente do tempo até a artéria ser aberta.

Infarto na gravidez e nos filhos

O infarto na gravidez é raro, mas pode acontecer, principalmente em gestantes com mais idade, pressão alta, diabetes ou tabagismo. Uma causa específica é a dissecção espontânea da artéria coronária, mais comum na gestação e no pós-parto. Dor no peito na gravidez deve ser avaliada no pronto-socorro. Infarto não passa de pais para filhos, mas a tendência a ter colesterol alto, Lp(a) alta e outros fatores de risco passa, por isso filhos de quem infartou cedo devem fazer avaliação.

Quando procurar o médico

  • Na hora (192 ou pronto-socorro): dor ou aperto no peito por mais de 15 a 20 minutos, falta de ar súbita, suor frio com mal-estar.
  • Em consulta: dor no peito que aparece no esforço e passa no repouso, histórico de infarto na família, colesterol, pressão ou glicose alterados, ou depois de ter tido um infarto.

Médico especialista em infarto e prevenção

O cardiologista é o médico que cuida da prevenção do infarto e do acompanhamento depois dele. Ele calcula o risco, define as metas de colesterol e pressão e ajusta os remédios ao longo dos anos. A Dra. Fernanda Tessari é cardiologista em São Paulo e acompanha pacientes na prevenção e após o infarto. Conheça a trajetória da Dra. Fernanda.

Perguntas frequentes sobre infarto

O corpo avisa antes do infarto?

Às vezes, sim. Algumas pessoas têm dor no peito ao esforço, cansaço ou falta de ar nos dias ou semanas antes. Em outras, o infarto é a primeira manifestação.

Na hora do ataque a pressão sobe ou desce?

Pode acontecer as duas coisas. A dor e a ansiedade sobem a pressão; um infarto grande pode fazer a pressão cair.

Infarto dá dor nas costas?

Pode dar, principalmente entre as omoplatas, e é mais comum em mulheres.

Sinal na orelha indica infarto?

Uma prega diagonal no lóbulo da orelha aparece mais em pessoas com doença nas coronárias, mas não serve para diagnosticar nada sozinha.

Jovem pode infartar?

Pode, embora seja menos comum. Tabagismo, uso de drogas, colesterol muito alto de família e Lp(a) alta são causas frequentes em jovens.

Fontes
  • Ministério da Saúde. Infarto.
  • Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde. Infarto.
  • National Heart, Lung, and Blood Institute (NIH). Heart Attack.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para o seu caso, procure uma avaliação.